Só se divulga o que interessa: mais um exemplo

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O medo da verdade é um dos vícios institucionais que mais danos causa à opus dei e aos seus membros. Este vício é vivido de forma mitigada em diversos contextos, como ocorre quando os diretores divulgam apenas aquilo que interessa ao se referirem ao prelado da opus.

Conto um episódio, não muito importante, mas bastante esclarecedor a respeito desse assunto.

Alguns meses após a eleição de D. Javier Echevarria como sucessor de D. Álvaro Del Portillo no cargo de prelado da opus, saíram em Crônica (revistinha interna dirigida aos numerários) alguns artigos relativos ao tema. Em um deles está escrito que (a reprodução não é literal) “a eleição do padre foi mais uma demonstração da unidade da obra”. Surpreendeu-me o tom quase sóbrio do artigo. Fiquei curioso a respeito do resultado da eleição: queria saber quantos votos tinham sido dados para quem, etc., e comentei o assunto com o diretor do centro (era o Paulo Serttekz) e outras pessoas do centro da rua Dória.

Ninguém sabia de nada, e a reação à minha pergunta era sempre meio reticente. Como não conseguia nenhuma resposta, enviei um email ao serviço de informações da opus ( na época, 1995, acho que era centralizado), perguntando qual tinha sido a distribuição dos votos na eleição do prelado. O email estava perfeitamente identificado: nome completo, endereço, etc. Enquanto esperava a resposta, consultei os estatutos da prelazia (estão reproduzidos em latim, não lembro se completos, num livro intitulado “ Itinerário Jurídico do Opus Dei etc.”) e lembro que li em algum lugar que a eleição era secreta.

Passaram-se alguns meses e um belo dia, o Rafael Yangue Ballestrex, que ocupava o lugar do Paulo Sertxezk, me chamou para conversar. O Rafael me disse que o Alfredo Campeli tinha ligado da comissão regional da opus no Brasil e tinha mandado me dizer que “essas coisas não se perguntam pela internet, e quando o Demetrio quiser saber algo sobre esse assunto deve procurar alguém da comissão”.

Entendi o recado e dei o assunto por encerrado.

Algum tempo depois tive uma conversa rápida com o Pe. Vicente A. Lopeszx durante um curso anual na Aroeira e o tema foi lembrado. O diálogo foi mais ou menos assim:

VAL: “Estranha aquela sua pergunta na internet”...

DZ: “Meio estranha mesmo; mas eu fiquei curioso, principalmente quando comparo com o alarde que se fez quando D. Álvaro foi eleito. Na época eu não era da obra, mas desde que entrei cansei de ouvir a estória de que D. Álvaro tinha sido eleito por unanimidade, etc, e que inclusive isso tinha sido divulgado na imprensa. Mas nos estatutos se diz que a eleição é secreta. De fato, da eleição de D. Javier não ouvi comentar quase nada; os estatutos eram diferentes, ou não eram cumpridos, ou o quê?”

VAL: “É claro que a eleição de D. Javier não foi unânime; por outro lado, como D. Álvaro era o 1o. sucessor de Escrivá, interessava muito deixar claro que a morte do fundador não iria abalar o desenvolvimento da obra, e que todos estavam unidos ao redor do sucessor. E é normal que a eleição não seja por unanimidade daqui para a frente.”

DZ: “Então o resultado da eleição de D. Álvaro foi divulgado porque interessava, e o resultado da eleição de D. Javier não se comenta porque não interessa”.

VAL: “É isso mesmo”.

DZ: “Só para deixar claro, então a obra só divulga aquilo que interessa, mesmo que contrarie os estatutos, e oculta aquilo que não interessa divulgar?”

VAL: “Blgtghzfmzmzmz... olha, as pessoas encarregadas do governo da obra sabem muito bem de que modo se seguem os estatutos e o que se deve divulgar e ocultar, e essa sua postura mostra que você está cheio de desconfianças e espíritos críticos”.

Concordei com ele que eu era um desconfiado e a conversa tomou outro rumo. Quem quiser saber mais detalhes, comente o assunto com o Pe. Vicente.

Demetrio Zaachridias.