Tertúlias del padre

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Quando o atual prelado da opus veio ao Brasil em 1996, foram promovidas diversas reuniões denominadas tertúlias, durante as quais o prelado ficava sobre um palco ou tablado, respondendo a perguntas feitas pela platéia. Esse tipo de reunião começou na época de Escrivá e parece que será mantido pelos prelados da opus.

A organização das tertúlias estava centrada nas perguntas que seriam feitas ao prelado. Todas as perguntas eram cuidadosamente preparadas e selecionadas de antemão pelos diretores centrais (de Roma ) e locais ( do Brasil), e abordavam temas que a opus considerava importantes para o público convidado. Assim, nas tertúlias gerais (homens e mulheres, de todas as idades, etc), como a realizada no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, os temas tratados enfocavam o pudor na vestimenta feminina, o controle da natalidade, a educação dos filhos (com insinuações que levassem os pais a colocarem os filhos nos colégios da opus), etc.

Nas tertúlias com estudantes, cujo objetivo principal era "convencer a turma a apitar como numerário", os temas giravam ao redor da castidade e da vocação. E falou-se também da importância da formação intelectual, mas com um tom que dava a entender que no Brasil somos um bando de broncos e iletrados, que deveriam se deixar guiar pelos critérios da opus. As perguntas eram encaminhadas aos diretores dos diversos centros que deviam escolher, entre os freqüentadores, e às vezes também entre os numerários, aqueles que fariam as perguntas em voz alta durante a tertúlia. Essas pessoas eram informadas também sobre a ordem das perguntas (olha, você vai fazer a terceira pergunta, esteja atento...), e ficavam em lugares previamente determinados, próximas dos numerários encarregados de avisar o prelado qual seria a pessoa que faria a pergunta (nas tertúlias com muita gente, esses encarregados seguravam lanterninhas). Até as eventuais piadinhas que seriam contadas durante a leitura das perguntas eram ensaiadas.

A representação era combinada previamente com o prelado, que devia dar a impressão de que estava respondendo tudo espontaneamente. Assim, as pessoas da platéia ficavam achando que o prelado era um homem iluminado por Deus, e que tinha respostas prontas e sábias sobre qualquer assunto que fosse levantado. Não havia, evidentemente, a chance de que alguma pergunta não preparada fosse lida nos microfones. Quando os diretores da opus eram questionados privadamente sobre o assunto, como por exemplo, quando algum numerário "pentelho" perguntava ao Pe. Vicente se a coisa toda não tinha um certo ar de trapaça, a resposta era algo do tipo " o padre (ié, o prelado) quer aproveitar a oportunidade para realizar uma grande catequese, e não se pode desperdiçar uma oportunidade dessas com perguntas que não interessem para o bem das almas..."

Essa prática já era adotada desde as primeiras tertúlias filmadas de Escrivá; quando alguma coisa não saia conforme o combinado, apelava-se para a edição das filmagens, na qual eram eliminados os trechos inconvenientes. Por exemplo, das tertúlias filmadas no Brasil quando Escrivá esteve aqui em 1974, foram cortados trechos nos quais apareciam numerários que depois saíram da opus. Para que as pessoas não reparem nesses cortes, os filmes costumam sumir de circulação por alguns anos, e de repente aparecem de novo "remasterizados". Alguns filmes foram tão recortados, e continuam sendo, que acabaram virando pedacinhos de documentários feitos com retalhos de filmes de diversas tertúlias. Outros filmes precisaram de tantos cortes, ou mostravam Escrivá em atitudes tão comprometedoras, que foram tirados de circulação definitivamente; muitas vezes, a desculpa dada é que "a filmagem era de má qualidade".

Nada que Stalin não tivesse feito antes.

D.