Uma captura cruel e desumana!

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Era o ano de 2000, minha família (católica praticante), vivia uma terrível crise financeira(estávamos todos desempregados), e foi aí que minha filha, na época com 17 anos, foi convidada por uma pessoa a trabalhar em um dos centros da obra. Até então, tudo o que eu sabia sobre o Opus Dei, é que era uma obra totalmente reconhecida e aprovada pelo papa, e isso me bastava. Fiquei tão feliz, afinal, minha filha além de ajudar sua família, cresceria ainda mais na fé. É preciso lembrar que ela era a filha que qualquer pai e mãe gostaria de ter: obediente, bondosa, sensível, carinhosa, meiga... Começava ali a se tecer uma "teia" (Hoje sei por causa da leitura do livro: Opus Dei - Os bastidores), da qual minha filha e nenhum jovem do seu perfil tem como escapar. Pois além desse jovem estar no seu momento mais difícil e vunerável, quando a sua personalidade futura e definitiva está em formação, essa "teia", essa "armadilha", é regrada à base de muita amizade, simpatia, acolhimento, mimos, etc... tudo o que ele mais necessita naquele momento.

Algum tempo depois, ela foi transferida para outro centro, para fazer os tais cursos de hotelaria, onde foi preparada para: lavar, passar, cozinhar, limpar, servir, obedecer fielmente e ser totalmente submissa. O cargo que ela ocupa é de "numerária auxiliar" (lembrando que hoje sei por causa da leitura do livro), ou seja, uma empregada doméstica - escrava, que além de realizar uma jornada dura e exaustiva de trabalho, precisa cumprir todas as regras e práticas da obra. Alimenta-se dos "restos" das numerárias, só usa roupas de brechó (já usadas e de baixa qualidade), é impedidada de visitar a família, e até um telefonema é difícil de dar (tudo isso em nome de Deus, um Deus que lá dentro se chama: "Nosso Padre").

Como sei que isso é verdade? Sendo mãe, como posso assinar em baixo de tudo o que foi dito no livro que li, na revista época e outros? Pelo comportamento da minha filha, por tudo o que tenho visto e ouvido dela e de outros membros da obra nesses quase seis anos. durante todo esse tempo, chorei bastante, vivi atormentada pela dúvida e pela incerteza, pois me era apresentado algo que não condizia com a realidade. Aliás, esse é um dos pontos - chave, o grande trunfo do Opus Dei: A camuflagem, a artimanha, o faz-de-conta.

E agora eu pergunto, a quem quer que conheça a palavra de Deus ao menos um pouco: Quem é o pai da mentira e da confusão? Essa mesma palavra que nos adverte claramente dizendo: "Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores"(Mat. 7, 15). A minha filha (carne da minha carne e sangue do meu sangue), veio para mim como um presente divino, ela é o que de melhor Deus poderia ter me dado, e como creio firmemente nesse Deus, sei que nenhuma lágrima minha, a lavagem cerebral que lhe foi feita, as vezes que usa o cilício, as humilhações pelas quais passa, o medo que sente, o banho frio, a tábua em que dorme, o cárcere, a escravidão, a coação,a solidão, o afastamento involuntário de sua família... nada, nada, passa despercebido ao olhar desse Pai de bondade, e que todas essas pessoas covardes, cruéis, inescrupulosas(inclusive seu fundador), que age de tal modo frio e calculista contra jovens indefesos, prestará contas a ele um dia, pois somente ele é o verdadeiro PODER e não permitirá que um filho seu viva para sempre enganado.

É essa confiança que agora me mantém viva. Acredito que, assim como tantos acordaram, minha filha brevemente acordará. Tenho fé que seus dias de escravidão e encarceramento, estão agora sendo contados por Deus, e que ele a devolverá ao seio da sua família de onde um dia foi brutal e cruelmente retirada. Para isso, sei que é necessário manter firme a esperança e lutar bravamente. Esperança essa que me foi devolvida por Deus, nas pessoas de: Marcio, Dario e Jean, a quem serei para sempre agradecida.

J. C.