Pureza

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Foi numa palestra do meu primeiro curso anual que ouvi falar da tal pureza. Ainda fiz o último curso anual da seção feminina no sítio da Aroeira em janeiro de 1971. Na minha cabeça de menina de 15 anos não me ocorria nem saber o que se dizia lá ao falar de PUREZA , de forma velada e discreta.

No dia seguinte da palestra era o dia em que o sacerdote atenderia as confissões e por acaso, estávamos em tertúlia no bosque que havia depois da casa, quando quem atendia a minha conversa, se levantou comigo por que estava na minha vez de confessar. Distante poucos passos, ela me perguntou se havia algo com respeito as idéias da palestra da última tarde, ao que respondi que nem bem sabia do que tinham dito, tal minha simplicidade diante de tal assunto.

Na verdade, ser adolescente antes da revolução sexual do final da década de 60 é coisa inimaginável para os dias de hoje. Por exemplo: num curso anual tínhamos aula de Direito Canônico com o segundo sacerdote brasileiro, o Pe. Katushi S. (ele era nissei e logo depois foi para o Japão) , quando ao tratar do matrimônio explicava que os matrimônios não consumados eram nulos, uma aluna que era diretora de um centro de são Rafael perguntou por que era nulo, e o que era não consumado! Pasmem-se!!! O constrangimento foi geral!!! Quando construíram um motel nas proximidades da Casa do Moinho, uma das numerárias mais velhas comentou comigo que iria pedir para ver como era! Nem imaginava para que serviria!

Na obra se ouve que não se fala de impureza, mas de pureza porque impureza é mais pegajosa do que piche. Ora bem, falar da naturalidade e do desenvolvimento da pessoa contempla este assunto normal, só que na obra e para todas a visão pode ser de impureza e só.

Se para muitos pais falar de sexualidade aos filhos é difícil até hoje, nos anos 60/70 não era senão muito mais difícil. Não havia fotos sensuais, a não ser das revistas para homens, os programas eram censurados, etc.

Lembro-me de comentar um beijo prolongado de uma novela de TV quando tinha menos de 10 anos, o quão constrangidos que ficaram meus pais. Depois, quando durante o almoço contei que aprendi na escola por que o casco da tartaruga macho era diferente da tartaruga fêmea e, não sei porque, meus dois irmãos caíram numa gargalhada inesquecível.

Minha mãe era bastante ligada na minha irmã mais velha que eu dois anos, conversava com ela coisas que eu não ouvia. Soube como nascia um bebê aos 12 anos por uma colega na escola. Um dia minha mãe comentou conosco que nossa vizinha I. já não devia ser moça uma vez que trocava de namorado com freqüência. O termo virgindade não se usava. Nunca ouvira qualquer coisa sobre intimidade no namoro, e comentários de que alguém se casara grávida era coisa indiscreta e velada.

Na cabeça de uma adolescente de 14 ou 15 anos o que girava? A paquera e só. Um sonho cor-de-rosa do dia que eu já começaria a namorar. E o que era namorar? Para mim era o que via na minha irmã (eu era vela dos dois, uma vez que meus pais não os deixavam sair sozinhos) . Saía com os dois para o cinema do domingo e depois tomávamos um lanche em uma boa casa - naquela época as boas ficavam na Rua Augusta), aos sábados a noite ia com os dois a um bailinho, e na maioria das vezes dançava com o irmão do namorado da minha irmã. Ele era o meu príncipe encantado.

Saber das "aventuras" sexuais relatadas or um ex-n, o Antonio Carlos (que publicou seu livro sobre o assunto) e lembrar das minhas é só um passo.

Apitar é entregar o coração e o futuro: entreguei os sonhos e a inocência dos meus 15 anos. Não sabia quase nada além do que relatei. Circunstancialmente exerci trabalhos internos na obra , saía pouco dos centros uma vez que estava em administrações ordinárias. De repente me vi mulher, tudo já era diferente principalmente as lutas interiores para vencer os sonhos da adolescente que ficaram para trás até a realidade dos 37 anos, idade que me decidi sair da Obra.

VR