Algo de mi historia

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Sou português e fui numerário entre 1978 e 1993 tendo ‘apitado’ com 15 anos.

Fui um prazer imenso encontrar este sítio e poder ler os testemunhos de tantas pessoas e encontrar uma grande similitude de pontos de vista e relatos de experiências idênticas às minhas.

Sai do opus porque quis, i.e., não fui ‘posto na rua’, mas a partir de então nunca mais tive contacto com a instituição tendo sido como que proscrito. Não é que este facto me incomode mas leva-me a pensar tanto mais que sei que ex-numerários e ex-agregados têm vindo a ser contactados para se reaproximarem. Enfim, isto também é pouco importante.

O que realmente importa é que, desde que saí do opus, tenho sido muito feliz mesmo passando por situações muito difíceis como por exemplo o estar cerca de 3 anos sem emprego. Efectivamente eu dirigia um trabalho pessoal – que, alias, fundei sem nenhuma ajuda do opus – em cuja direcção me mantive ainda 3 anos após ter saído da prelatura. Percebi, finalmente, que me tinha sido declarada guerra pelos velhos supranumerários que tinha chamado para me auxiliarem que, com a concordância e (suponho eu!) o estímulo da comissão regional, começaram a tornar a minha vida profissional insuportável com o recurso a todo o tipo de mentiras e trafulhices. Tenho que confessar que me orgulho muito da luta que lhes dei durante esses 3 anos e dos maus bocados que – sempre com justiça! – lhes fiz passar! Felizmente abandonei pelo meu pé e de cabeça bem erguida a direcção desse trabalho pessoal . (Curiosamente festejaram em Outubro passado os 15 anos dessa instituição e não me convidaram! E eu teria ido com muito gosto e teria passeado por aquelas salas como se estivesse em minha casa sem sequer olhar para essas ‘velhas raposas’ que me maltrataram. Foi, possivelmente, por admitirem esta hipótese que nada me disseram)

Mudando de assunto: também passei pelo 4º piso da Clínica Universitária embora não tenha estado lá internado. Estaria- diziam os doutos doutores – com uma depressão que se resolveria com toneladas de medicamentos entre eles um potente inibidor da IMAO.

Mas isto já foi um progresso porque anteriormente, um preclaro médico numerário português que dá pelo nome de Óscar Candeias, me tinha posto a tomar anti-depressivos tricíclicos e….lítio. Passei verdadeiramente mal com esta terapêutica até que por iniciativa própria e conselho de um (agora) ex-numerário médico e grande companheiro destas lides do opus, abandonei o tratamento. Aliás vim a fazer o mesmo com o inibidor da IMAO por sugestão do meu pai. Nesta altura também tinha insónias terríveis que duraram anos. Tudo isto desapareceu por completo com a minha saída do opus portanto, posso concluir com bastante certeza, que estes sintomas eram consequência do meu mal -estar e da minha progressiva desidentificação com a instituição.

Continuando com os fait-divers, constato com grande satisfação que todos os numerários com que eu melhor sintonizava no opus já não pertencem à instituição. Devo confessar, envergonhado!, que eu fui o penúltimo a sair! A versão oficial é que ‘me passei’, i.e. , que estou de algum modo perturbado psicologicamente. Felizmente e apesar de todas as tentativas que fizerem nesse sentido( sempre, claro!, putantes se obsequium praestare Deo) estou bem e recomendo-me.

E pronto! Não venho acrescentar nada ao que outros já disseram mas apenas juntar mais uma voz e manifestar-me ao dispôr para o fazer sempre que seja necessário. Na verdade, a Internet, está a ser um instrumento importante para desmistificar o opus antes de mais porque permite que os seus membros, especialmente os numerários, tenham contacto em tempo real e sem mediatizações e censuras, com a vida real. Porque- ao contrário do que eles pensam(?) e dizem- o mundo do opus não é o mundo real. E,também, por isso, não presta!


PAULO, 17 de diciembre de 2004


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