A persistência do Opus Dei

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Prezados amigos e amigas,não fui uma das vítimas que por inocência e coração aberto a OD apreendeu e anulou.Mas percebi,convivi,rejeitei-- a hipocrisia,a mentira,a usurpação,as lavagens ao cérebro,o absoluto controle e tentativas de anulação do carácter que, numa residência universitária, eram a norma,o ar que se respirava,os olhares que nos radiografavam!

Sou português,de formação universitária,de uma família de bons costumes e valores tradicionais.Durante 5 anos estive numa residência universitária instalada em excelente casa senhorial,com apertadíssima selecção dos candidatos a residentes,quer do ponto de vista social,quer económico,quer de eventual parentela ou de circulo de amizades com pessoas relacionadas com a Obra.

A ambiência traduzia o bom gosto,a tranquilidade,as boas maneiras,o espírito de fraternidade e entre- ajuda que propiciavam o estado anímico à manipulação e comprometimento.

Horas para tudo,bons resultados escolares,direcção espiritual induzida pelo não dito da obrigatoriedade,conversas capciosas e inesperadas,inquéritos dissimulados acerca da vida extra residencial,leituras aconselhadas(o Caminho como o companheiro de reflexão do momento a momento),dissuasão de idas ao café e ao cinema,programas de televisão sempre escolhidos de forma ardilosa não dando possibilidade de escolha para não impedir que o outro(sacerdote ou numerário) ficasse impedido do programa escolhido. A distribuição dos quartos era feita de modo a que os mais recentes ficassem sempre com alguém já" domesticado" e apto ao controle. Refeições com conversas discretamente dirigidas,elegantes,cultas,envolventes.Facilitadoras da permanente leitura e manipulação de cada um.

Para quem vivia longe e ia a casa ao fim de semana ou de férias usavam-se todos os meios para que não deixasse de passar pelo Centro de Formação da sua cidade,se aí existisse.--Chegaram a enviar encomendas que mais não eram que caixas de papel com meia dúzia de folhas A4,em branco,rigorosamente embrulhadas e a serem entregues em determinado Centro(caso de alguém, hoje, com a maior relevância nacional) e que por nós(pequeno grupo dos residentes) foram abertas e reembrulhadas(até ao momento em que a burla foi desmascarada),para confirmação do que vinhamos intuindo e desconfiando.--Confrontados,um sacerdote,há muitos anos residente em um dos Centros de S. Paulo,servindo de porta voz,afirmou rubicundo e de dedo em riste---"Na Obra não entra quem quer ou se julga escolhido,mas quem nós queremos e seleccionamos!(sic)".

Para quem tinha namorada era questionada a vocação para o casamento,a necessidade de profunda reflexão acerca da responsabilidade de tal acto,da liberdade que o celibato permitia para a santificação no mundo!--Da venalidade na relação com o sexo oposto!--Sempre a sós,com leveza,insistência! Para quem tinha actividades em Organizações de Benemerência era chamada a atenção para a necessidade da não dispersão.Antes a focalização nos estudos,na oração,na confissão(direcção espiritual por Sacerdote da Casa),na Missa diária,porque havia quem se ocupasse dessas causas.

Sistemáticamente era inculcada a ideia de que se devia começar tudo por cima,porque depois os outros viriam por imitação e assim seriam Formados e Civilizados!Que não deveria haver misturas,seriam inibitórias por diferentes hábitos,quer culturais,quer sociais,que mentais--por caridade.Mas que a delicadeza deveria sempre estar presente,como processo e exemplo educacional.

Um sufoco.Uma opressão.Um esmagamento da alma.Um aviltamento.

Não quedam saudades.Memórias apenas quando as chamo,como agora,para testemunhar. Não quedou fé.Apenas a prática do amor pelos outros,da disponibilidade,do estar ao lado,do tentar compreender e partilhar hipóteses de caminhos para a existência ,sem imposições ou julgamentos.

A todos os que foram vilipendiados pelo maquiavelismo do OD o mais sincero desejo de que as feridas sarem .

Para quaisquer pormenorizações ou contactos queiram ter a bondade de me escrever.

Bem hajam!

MT